“Deus é meu copiloto”, diz fundador do ‘Top Gun’, escola naval que inspirou o filme
30/07/2022 19:42 em Novidades

Depois que o filme de 1986 “Top Gun” chamou a atenção para a escola de pilotos de caça de elite, da Marinha dos EUA, uma sequência de sucessos estreou nos cinemas com Tom Cruise. 

Mas há uma história verdadeira por trás de Top Gun, que nenhum dos filmes ainda contou. Ela começa em 1956, quando Dan Pedersen começou a voar para a Marinha. 

Ainda jovem, Pedersen se viu na Costa Oeste com outros jovens pilotos, prontos para interceptar bombardeiros soviéticos. Na sequência, veio a Guerra do Vietnã e, de repente, a Marinha começou a perder algo do qual se orgulhava — combater no espaço aéreo. 

Grande desafio

Conforme Timothy Orr, historiador militar da Old Dominion University, a Marinha se deparou com uma grande frustração — sua filosofia predominante de treinamento não estava funcionando.

Isso aconteceu após o sucesso nos céus durante a Guerra da Coréia. “O pensamento geral era que tudo o que você tinha que fazer era enviar os aviadores para a ação, ensiná-los a usar o equipamento, e se eles fizessem isso, teriam vitórias”, explicou o historiador à CBN News.

Mas, Orr conta que os vietnamitas estavam se mostrando mais aptos a explorar seus aviões e os pilotos de caça americanos não estavam preparados para o desafio. 

“Eles ficaram surpresos com os MiGs norte-vietnamitas — aviões de caça — e perceberam que, se entrassem em confronto com eles, os pilotos saberiam como ultrapassar os limites de suas aeronaves”, continuou. 

Revelando os problemas da Marinha americana

Em 1967, Pedersen estava voando ao largo da USS Enterprise, na costa do Vietnã. Em apenas quatro meses, seu grupo aéreo perdeu 13 homens. “Você ia jantar à noite e havia cadeiras vazias na mesa”, ele lembrou. 

Havia problemas com os mísseis da Marinha e o relatório conhecido como “Relatório Ault”, revelou o quanto eram graves — para cada dois aviões que os pilotos americanos abatiam, eles perdiam um.

Qual seria a solução? O estabelecimento de aviação para “retreinar pilotos” foi a resposta. A Marinha americana, então, incluiu uma escola de pós-graduação a fim de instruir rapidamente seus pilotos na “antiga arte” do combate aéreo, também conhecida por “dogfighting”. 

Uma escola chamada “Top Gun”

Pedersen documentou a fundação da “Escola de Armas de Combate da Marinha” em seu livro “Top Gun: An American Story”. Durante uma entrevista à CBN News, no USS Midway Museum, em San Diego, na Califórnia, o piloto falou sobre a escola que ficou conhecida como “Top Gun”.

A escola foi responsável por uma das grandes reviravoltas na história militar moderna. No início de 1969, um capitão da Marinha chamou Pedersen — que era instrutor de voo da Estação Aérea Naval em Miramar, Califórnia — para fundar e liderar a escola. 

Além de não lhe oferecer financiamento, nem mecânicos ou aviões próprios, o prazo de entrega era apertado. Pedersen lembra: “Eu perguntei: Quanto tempo eu tenho? E ele respondeu: Entre 60 a 90 dias para formar a primeira turma. E eu pensei: Só pode estar brincando comigo”. 

“Deus é meu copiloto”

Conforme Pedersen, o capitão o incentivou dizendo: “Você pode fazer isso. Improvise”. Foi quando ele considerou Deus como seu copiloto, ao decolar nessa aventura de construir uma escola em tão pouco tempo. 

“Quando olho para trás e vejo que conseguimos, fica muito claro para mim que a mão de Deus no projeto foi muito mais poderosa do que a minha”, escreveu em seu livro. 

“Eu orei pelo dom do discernimento para fazer com que tudo funcionasse”, disse ao revelar que selecionou oito dos melhores pilotos de Miramar. Segundo ele, os pilotos foram treinados para ensinar uma nova geração a lutar e a levar seus aviões ao limite. 

Muitos trabalharam dia e noite, durante 60 dias, sabendo que durante todo o treinamento vidas estariam em jogo. “Você pode treinar, você pode pensar que é o melhor, mas você só vai descobrir isso se você fizer tudo direito, e voltar para casa em segurança”, explicou Pedersen.

‘Fizemos o melhor pelo nosso país’

O piloto revelou detalhes sobre o projeto, mostrando o que levou a equipe a obter sucesso: “O currículo extremamente prático e afinado, ministrado por instrutores que entendem de mecânica, conhecer as táticas do inimigo e a necessidade de inovação”. 

“Tudo isso fez a diferença. O que fizemos em dois anos foi a coisa mais importante que poderíamos fazer pelo nosso país”, compartilhou ao revelar que 3 anos depois, a Marinha passou a abater 600% a mais que antes da escola. 

Ou seja, para cada avião que os EUA perdiam, eles derrubavam 12. Hoje, a Marinha credita seu grande desempenho atual à escola Top Gun e ao relatório Ault Report.

‘Os melhores entre os melhores’

Atualmente, a escola Top Gun ainda seleciona os melhores pilotos de caça da Marinha e os treina para treinar outros. Orr chama isso de “base de treinamento” para pilotos de caça americanos e explicou que o programa separa “os melhores entre os melhores da equipe”. 

Pedersen disse que se reuniu com os “sete Bros” vivos para comemorar o 50º aniversário da escola, fundada em 3 de março de 1969.

Em 1996, a Top Gun se uniu com o “Naval Strike and Air Warfare Center” — Centro de Ataque Naval e Guerra Aérea, em Nevada. 

Para Pedersen, a escola de pilotos Top Gun está maior e mais moderna do que nunca. Em seu livro, ele incentiva crianças e jovens que estão tentando descobrir o propósito de suas vidas: “Considerem a Marinha e talvez até voar, caso estejam em busca de um desafio que é diferente de todos os outros”.

Fonte: Guiame com informações de CBN News

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