Jordan Peterson usa Bíblia em discurso de formatura: “Fé não é o abandono da razão”
10/05/2022 16:47 em Novidades

Jordan Peterson, um famoso psicólogo canadense, falou abertamente sobre a fé durante um discurso de formatura, alertando os graduados do Hillsdale College, em Michigan, no último sábado (7), sobre os estragos que o pecado pode causar. 

Batendo de frente com a cultura atual, ele explicou simbolicamente que os formandos estavam no momento da “encruzilhada da vida”. Depois de aplausos prolongados, ele seguiu com seu discurso.

“Há uma velha ideia de que você encontra o diabo na encruzilhada e a metáfora funciona porque mostra que é um tempo de decisão. Essa imagem tem um bom ajuste narrativo e fica na memória de quem ouve”, disse ao explicar que quando alguém ‘encontra o diabo’ só pode escolher uma direção ou outra. 

“Por que você encontra o diabo na encruzilhada?”

Ao comparar a formatura como um “marco” na vida das pessoas, o professor de 59 anos destacou que é também um momento de “examinar suas consciências”.

“Por que você encontra o diabo na encruzilhada questionou ao esclarecer que sempre chegamos ao lugar da decisão. "Você precisa fazer uma escolha, olhar para cima ou para baixo. E sempre haverá uma tentação querendo forçar você a olhar para baixo”, continuou. 

O psicólogo que tem como principal área de estudo a psicologia analítica e particular interesse na crença ideológica, personalidade e psicologia da religião, usou a Bíblia para definir que "pecado é errar o alvo".

E para exemplificar o que seria “olhar para baixo”, fez referência à história de Caim e Abel. “A oferta de Caim não era o seu melhor. Quando as pessoas fazem sacrifícios insuficientes, elas estão colocando alguém acima de Deus", explicou. 

‘Pecar é perder o objetivo’

Ao falar com mais profundidade sobre o pecado, Peterson observou que a palavra hebraica  “khata” encontrada em todo o Antigo e Novo Testamento é traduzida como “falhar” ou ainda “perder o objetivo”. 

“Eu amo isso, porque fala do objetivo ou da falta dele. Há várias maneiras de errar o alvo e uma delas é não ter uma mira, ou seja, não ter um objetivo e uma direção. Viver assim é supor que todos os objetivos sejam iguais”, disse. 

“Um dos maiores obstáculos que leva as pessoas a ‘errar o alvo’ é o orgulho", disse ao se voltar mais uma vez para as Escrituras e se referir à história da Torre de Babel, em Gênesis 11. 

“Os descendentes de Noé foram dominados pelo orgulho e buscaram construir uma estrutura para alcançar os céus, deixando de seguir o mandamento do Senhor que era se multiplicar e encher a terra”, lembrou. 

“Essa tem sido uma tentação contínua para os seres humanos, de construir organizações complexas, que se tornam muito ‘altas’. E o que isso significa? Que nada é suficiente e tudo fica centralizado num único lugar. Não há distribuição”, continuou ao apontar no quanto as pessoas se isolam.

“Lúcifer é esse espírito do intelecto”

Na sequência, o psicólogo lembrou da história luciferiana. “Lúcifer é esse espírito do intelecto — o portador da luz que voou muito alto e desafiou o próprio Deus. Ele caiu”, alertou.

“Ele é o símbolo do intelecto orgulhoso, que se levanta contra as alturas onde Deus está”, disse ainda. 

“Sou muito contrário à ideia de que a motivação humana fundamental é o poder. Isso é o que todo aluno aprende em todos os níveis de sua educação, em todas as instituições educacionais, exceto algumas em seu país”, mencionou.

“Essa é uma filosofia muito sombria. Não poderia haver uma filosofia mais patológica. Isso apaga a sua fé, remove a noção da boa vontade e torna a comunicação impossível”, disse ainda. 

“Não permita que a arrogância perturbe o seu objetivo. Aproxime-se das coisas boas e entenda que a essência do cristianismo é o bem que une todas essas coisas boas, e elas refletem a imagem de Cristo”, reforçou. 

O psicólogo explica que “essa imagem” aceita o sofrimento da vida e tem a necessidade de servir às pessoas. “E esse é o maior chamado. A verdade de Jesus é mais verdadeira do que qualquer outra coisa”, observou.

“A fé é uma forma de coragem”

A mensagem de Peterson, que pode ser considerada como contracultural, inspirou os formandos a se desiludirem da sugestão secular de que ter fé significa abandonar a lógica e a razão.

“O mundo dirá às pessoas que a fé é uma forma de fraqueza porque implica numa falta de vontade de lutar contra o que não pode ser explicado. “É difícil explicar sobre os lugares difíceis e sombrios da vida”, disse.

“Porém, uma das coisas sobre as quais tenho pensado muito em relação à fé, é que as pessoas religiosas são muitas vezes ridicularizadas. É como se a fé significasse o sacrifício da razão”, apontou.

“Eu não acho que fé seja isso, acho que fé é uma forma de coragem. Se você for ferido pela vida — e você será — é compreensível que reaja de forma niilista e sem esperança, mas o que vai te ajudar nisso é a fé”, garantiu.

“E manter essa fé faz parte da bondade fundamental da existência, incluindo a sua própria, apesar das evidências em contrário”, disse ao ressaltar que nas provocações não deve haver desespero. 

“Em vez disso, se você está encarando uma encruzilhada difícil, deve erguer-se e acreditar que poderá resistir, seguindo o caminho certo. Será melhor para você e será melhor para as pessoas ao seu redor”, concluiu.

Fonte: Guiame com informações de FaithWire

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