Hospital de SP lamenta e repudia entrega de Bíblias para mulheres em fila de aborto
20/08/2021 14:09 em Novidades

Uma mulher que preferiu manter-se anônima denunciou ter recebido um exemplar da Bíblia (Novo Testamento e Salmos) enquanto aguardava para a realização de ultrassom onde faria um aborto legal no Hospital Pérola Byington, no centro de São Paulo.

A mulher, grávida de dois meses, relatou que outras gestantes presentes na fila do exame também receberam o livro. Segundo ela, um grupo de mulheres abordou ela e as demais pacientes do recinto para entregar Bíblias e absorventes.

A estudante do Ensino Superior diz que procurou o serviço do hospital para interromper a gravidez, resultado de um estupro, violência que se deu dentro de uma relação abusiva.

O hospital, que pertencente à Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, é o principal serviço onde se realiza abortos previstos em lei e no atendimento de casos de violência sexual.

A legislação brasileira autoriza a realização do procedimento em casos de gravidez decorrente de estupro, risco de vida à mulher ou (por decisão de 2012 do Supremo Tribunal Federal) gestação de feto anencéfalo.

Nota do hospital

Em nota como resposta ao ocorrido, o hospital publicou uma nota oficial:

"O Hospital Pérola Byington lamenta o desconforto e repudia qualquer atitude contrária à liberdade de consciência e de crença quanto o caráter laico de instituições públicas, previstos em Constituição. A unidade respeita as escolhas individuais de seus usuários, e justamente por isso não permite a distribuição de panfletos ou livros como o citado pela reportagem dentro da unidade. A direção está reforçando as orientações aos seus profissionais e voluntários da capelania hospitalar, que devem seguir as normas estabelecidas pelo hospital.”

A nota termina com a disponibilização de contatos e da ouvidoria do hospital.

A denunciante não conseguiu identificar quem eram as mulheres distribuindo as edições da Bíblia.

“Elas não falaram nada, só entregaram os livros e os absorventes. Acho que eram enfermeiras. Vestiam uniformes e pareciam estar trabalhando no hospital. Chegaram várias caixas, não dava pra entender se cheias de absorvente ou Bíblias. Eu achei estranho porque eu estava lá para acessar meus direitos e geralmente essas religiões, católica e evangélicas, abominam qualquer direito da mulher. Eu sou uma pessoa de fé, acredito numa força maior, que vem do amor, e não que pune e prejudica apenas as mulheres. Achei muito arcaico, nada a ver um hospital distribuir isso”, disse a mulher à reportagem da Marie Claire.

Fonte: Guiame

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